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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

*Não é ser petista, é ser justo*
"Defender Lula não é coisa de petista, nem de "esquerdista". Defender Lula é atitude de gente sensata, gente que sabe que o que está em jogo não é corrupção, apartamento triplex, sítio, pedalinho, nada disso.
O que está em jogo é o sistema democrático brasileiro. O que está em jogo é a falência do sistema judiciário brasileiro que se tornou partidário e tão ou mais corrupto que o sistema político.
O que está em jogo é a imagem do Brasil perante o mundo porque nem mesmo os que acusam Lula estão convictos de que haja provas de corrupção do ex-presidente.
Vamos ser honestos, o processo é político e tem por objetivo tirar a maior liderança mundial da esquerda das eleições num país que vive um golpe de Estado, um golpe que tirou do poder uma mulher honesta, uma mulher nunca acusada, julgada e condenada por corrupção.
Sejamos honestos, o crime de Lula foi gerar ódio nessa elite que jamais aceitou que um torneiro mecânico, operário, nordestino e sem diploma tenha se tornado respeitado mundialmente, uma espécie de Nelson Mandela brasileiro, só que no combate à fome.
Sejamos honestos, os que defendem a sua prisão são os mais corruptos, comprovadamente corruptos, homens sem amor ao povo brasileiro, homens que por dinheiro venderiam até a alma, quem dirá vender a riqueza nacional como estão a vender.
Defender Lula é hoje um dever de qualquer patriota, qualquer democrata, independente de partidarismo.
Defender Lula é defender o Brasil e o que resta de dignidade nesse país. Lula não roubou, não recebeu dinheiro, não teve conta secreta descoberta na Suíça, nem dólares em paraísos fiscais.
Não caiu em áudio mandando matar, nem teve malas com milhões de reais com suas digitais. Lula elevou a condição de vida de milhões de brasileiros, provou que um homem de origem pobre e humilde pode ser Presidente e mais, pode ser o maior Presidente da história. Por isso a elite brasileira com seu complexo de inferioridade, com seu complexo de vira-latas jamais o perdoará.
O crime de Lula, na verdade, foi comandar um governo voltado para os mais pobres, um governo mais popular e independente, soberano e isso, amigos e amigas, jamais será aceito pela Casa Grande.
Defender Lula é defender a história, é defender a justiça, pois um homem respeitado no mundo todo não merece nos seus 72 anos de idade ser preso, condenado por um crime que não cometeu.
Lula merece o apoio de todo o povo a quem ele tanto dedicou sua vida.
Não é ser petista, é ser justo.
Texto essencial para a leitura da atual conjuntura mundial e brasileira "

terça-feira, 21 de agosto de 2018

"STF E DODGE TÊM CONSENSO SOBRE TRATADOS DA ONU ACIMA DA LEI BRASILEIRA
No último dia 17, o Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU proferiu uma Liminar ao Estado brasileiro requerendo que o mesmo tome as medidas necessárias que garantam a candidatura de Lula, e sua participação, sem prejuízos, na campanha eleitoral, o que inclui acesso ao partido e à mídia.
Desde então, surgiram diversas reações que tentam minimizar o fato e a competência do Comitê. Pois bem, vamos aos fatos.
O referido Comitê foi criado por meio do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, adotado pela XXI Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 1966. Este tratado internacional determina normas e valores para salvaguardar os direitos dos indivíduos dos Estados que facultativamente aderiram a ele, ou seja, o Brasil escolheu participar e ratificá-lo em duas ocasiões: em 1992, por meio do Decreto 592/1992 e, em 2009, por meio do Decreto legislativo 311/2009. Ao fazer isso, o Brasil incluiu-o em seu ordenamento jurídico com status supralegal, o que significa que está acima das leis ordinárias e abaixo da Constituição.
A Liminar (Interim Measure) expedida pelo Comitê da ONU está respaldada na Regra 92, do conjunto de normas da mesma, que tem o objetivo de evitar qualquer violência irreparável aos direitos do impetrante, que, no caso do Lula, refere-se à violência da proibição da sua participação equânime na campanha eleitoral e da possível impugnação de sua candidatura.
O Comitê tomou essa medida drástica porque desde 2016 tem acompanhado o processo judicial de Lula, a pedido de sua Defesa, aceitando-o formalmente neste ano, e diante das análises já efetuadas perceberam que há sim a possibilidade de que seu julgamento não tenha sido justo, mas parcial e de cunho político, no entanto, a decisão final ocorrerá só daqui alguns meses, após as eleições brasileiras, o que teria efeito inócuo, caso decidam favoravelmente à denúncia de que o ex-presidente tem sido vítima de decisões injustas impetradas pelo Estado brasileiro.
Percebam, portanto, que o Comitê tem o aval da ONU e do ordenamento jurídico brasileiro para apurar se o próprio Estado brasileiro tem cometido violações dos direitos civis e políticos, ou seja, trata-se de um órgão competente, representativo, porque foi eleito pelos Estados partes, e independente, que tem a máxima importância para evitar e denunciar injustiças institucionais cometidas pelos Estados partes.
Para que não reste dúvida, o próprio Supremo Tribunal Federal já afirmou a supralegalidade (qualidade do que está acima da lei) do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos inúmeras vezes, tanto por meio de seus ministros como por meio da Sumula Vinculante 25, resultante de julgamentos que derrubaram a prisão de depositário infiel de nosso ordenamento jurídico exatamente porque tratados internacionais proíbem-na.
Desde então, embora antes já fosse costume, todas as decisões do STF obedecem rigorosamente a superioridade legal de tratados internacionais de direitos humanos. Seguem afirmações oficiais de alguns ministros do Supremo, a saber Cezar Peluso, Ellen Gracie, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski e, na imagem a seguir, do ministro Luís Roberto Barroso:
Além dessa afirmação, acima, o ministro Barroso, atual relator dos pedidos de impugnação da candidatura de Lula, escreveu, ao menos, dois artigos acadêmicos sobre o tema, nos quais reitera o enorme valor dos tradados internacionais, a saber: Constituição e tratados internacionais: alguns aspectos da relação entre direito internacional e direito interno. (2008) e Constituições e tratados internacionais: alguns aspectos da relação entre direito internacional e direito interno. (2013).
Ademais, Marco Aurelio Mello reforça afirmando que o tema refere-se à mais importante responsabilidade do juiz:
Presente esse contexto, convém insistir na asserção de que o Poder Judiciário constitui o instrumento concretizador das liberdades civis, das franquias constitucionais e dos direitos fundamentais assegurados pelos tratados e convenções internacionais subscritos pelo Brasil. Essa alta missão, que foi confiada aos juízes e Tribunais, qualifica-se como uma das mais expressivas funções políticas do Poder Judiciário. Juiz, no plano de nossa organização institucional, representa o órgão estatal incumbido de concretizar as liberdades públicas proclamadas pela declaração constitucional de direitos e reconhecidas pelos atos e convenções internacionais fundados no direito das gentes. Assiste, desse modo, ao Magistrado, o dever de atuar como instrumento da Constituição - e garante de sua supremacia - na defesa incondicional e na garantia real das liberdades fundamentais da pessoa humana, conferindo, ainda, efetividade aos direitos fundados em tratados internacionais de que o Brasil seja parte. Essa é a missão socialmente mais importante e politicamente mais sensível que se impõe aos magistrados, em geral, e a esta Suprema Corte, em particular.
É dever dos órgãos do Poder Público - e notadamente dos juízes e Tribunais - respeitar e promover a efetivação dos direitos garantidos pelas Constituições dos Estados nacionais e assegurados pelas declarações internacionais, em ordem a permitir a prática de um constitucionalismo democrático aberto ao processo de crescente internacionalização dos direitos básicos da pessoa humana. O respeito e a observância das liberdades públicas impõem-se ao Estado como obrigação indeclinável, que se justifica pela necessária submissão do Poder Público aos direitos fundamentais da pessoa humana. Relatório do Min. Marco Aurelio - HC87585/TO
Está mais do que comprovado que o STF reconhece os tratados internacionais de direitos humanos como, pelo menos, superiores as leis ordinárias. Cabe ressaltar que há um grupo, liderado pelo Ministro Celso de Melo, que defende um caráter ainda mais relevante aos referidos tratados: caráter constitucional.
A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, está alinhada com essa perspectiva e discorreu sobre no parecer acerca da constitucionalidade de candidaturas avulsas, sem partidos.
Além desse recente posicionamento, é fato conhecido que a Procuradora tem um histórico de defesa do cumprimento dos tratados e cooperações internacionais. Recentemente, participou da 120ª Sessão Ordinária da Corte Interamericana de Direitos Humanos, realizada na Costa Rica e destacou que o Brasil deve cumprir, em suas relações internacionais, o princípio da prevalência dos direitos humanos, conforme prevê a Constituição. E deve, inclusive, apoiar a criação de um Tribunal Internacional de Direitos Humanos. Para a procuradora-geral, a celebração de tratados e o reconhecimento da jurisdição de tribunais internacionais, pelo Brasil, impõem ao país o desafio de buscar sempre uma sociedade livre, justa e solidária e o combate efetivo à pobreza e à desigualdade.
A PGR lembrou que o Ministério Público brasileiro atua em conjunto com os demais órgãos do sistema internacional de direitos humanos e com órgãos nacionais para a construção de uma sociedade inclusiva. Para Dodge, o desafio deste século é reconhecer a centralidade do tema e sua proteção na agenda dos estados. “A consolidação desses valores comuns é um processo em curso que se reforça continuamente na atividade dos vários órgãos internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Esse repertório de hermenêutica de direitos humanos tem revolucionado ordenamentos jurídicos, impondo modificações em condutas administrativas, legislações nacionais e mesmo interpretações judiciais internas”. (Site oficial do MPF - aqui).
Os fatos são todos uníssonos ao afirmarem que o Judiciario brasileiro reconhece a supralegalidade do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e, portanto, a mesma legitimidade do seu Comite, portanto, não resta outra opção ao STF e MPF que não seja o deferimento da Liminar e exigir das instituições que a façam cumprir.
Qualquer outra decisão instalará uma insegurança jurídica internacional sem precedentes, que colocarão em evidencia o processo de falência de nossas instituições, desbocando em um possível colapso econômico. Ou seja, não se trata apenas de Lula e das eleições, trata-se da manutenção da legitimidade do Estado de direito e da democracia brasileira."

sábado, 18 de agosto de 2018

por Gustavo Conde, linguista: "Desde que começou a cumprir essa pena absurda em Curitiba, escandalosamente ilegal, persecutória e política, Lula reorganizou seus ímpetos e sua inteligência. Ele jamais sucumbiria diante de algozes tão covardes e violentos. Não é do seu feitio, não é de seu caráter.
Limitada sua ação como interlocutor voraz da cena pública, Lula deslocou suas qualidades de negociador para uma instância diferente e igualmente poderosa: a escrita.
Preso, Lula passou a escrever diariamente, em folhas de caderno, com mensagens e bilhetes para lideranças políticas e sindicais do Brasil inteiro. Assim, ele costurou uma aliança extremamente complexa no campo das esquerdas, evidentemente com o auxílio qualificado de Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann.
Mas essa nova competência posta em prática, a arte da escrita, é mais um daqueles momentos que assombram quem acompanha a trajetória de Lula. Lula levou para o texto escrito todo o seu poder de persuasão e toda a sua dicção política e humana.
O artigo que ele escreveu para o jornal The New York Times marca esse momento do nascimento de um novo estilo de texto. Ele, Lula, está lá, em cada linha, em cada parágrafo, em cada pontuação.
Antes que alguém pense que políticos não escrevem seus próprios artigos - o que é real - aviso de bate-pronto: no caso de Lula, agora, é diferente. Porque Lula está preso. Porque Lula está tomado pelo imenso poder que é ser um homem sozinho diante de si mesmo e diante de um sistema que quer eliminá-lo e proscrevê-lo. Nessas situações, quem tem caráter, toma todo o espectro das ações de resistência, até das ações mais singelas como a delicada redação de uma mensagem.
No artigo do New York Times, Lula está lá, em todos os lugares, com seu estilo, com sua verve, com o contrato particular que ele trava com os sentidos das palavras. Escrever, afinal, não é apenas dominar protocolos gramaticais. Escrever é muito mais do que isso.
A escrita de Lula é diferente. Os períodos são curtos, a sintaxe é minimalista, as escolhas lexicais são densas e simples e o ethos (o tom) consegue reproduzir fielmente sua marca emocional, visceral, de ser alguém que fala com o coração e ao mesmo tempo com extrema inteligência no controle do discurso.
Há muitas marcas de oralidade no texto de Lula que, ao invés de fragilizar uma escrita protocolar e obrigatoriamente técnica, fortalece-a, deixando-a mesmo mais poderosa do que a assinatura que a recobre.
Para os incrédulos acerca do talento literário de Lula - os céticos de plantão, habitantes da caixinha do senso comum -, adianto: o estafe de Lula certamente 'costurou' algumas passagens do texto, dadas as exigências protocolares de um artigo a ser publicado no jornal mais importante do mundo.
Mas isso é praxe até para os mais insuspeitos intelectuais dotados de prestígio acadêmico. Como revisor profissional, posso garantir, inclusive, que há muitos missivistas em operação na cena do comentário nacional cuja qualidade do texto bruto faria qualquer professor de ensino médio tremer.
Lula está neste texto do The New York Times como talvez em nenhum outro anterior. À medida em que o cerco a ele e às eleições se fecha, todo o processo simbólico de resistência se adensa. O Lula escritor é mais um lance espetacular da história que, por mais que se tente, não cessa sua ação de consagração aos protagonistas políticos verdadeiramente investidos de legitimidade popular.
Lula escreve tão bem que até traduzir o seu texto de uma língua para outra é fácil. É a linguagem universal. De fato, Impressiona. Ele lida com os sentidos das palavras de um jeito único, humano, límpido, singelo, sem tergiversar, sem querer impressionar, sem os trambiques academicistas que fazem os textos da elite parecerem monumentos ao pedantismo. Há verdade em cada passagem, em cada trecho, em cada palavra.
A questão é muito técnica e afirmo isso como linguista: ele gerencia os sentidos de maneira singular. É como uma pessoa simples dotada de profunda sabedoria que se expressa com todo seu corpo, sua alma e sua história.
Fica fácil entender porque tanto amor – a percepção de afeto majoritária neste cenário – e porque tanto ódio – a minoria que não consegue lidar com as transferências do amor. Alguém que massageia neste nível de intensidade o aparato de codificação dos sentidos (a interpretação social) é insuportável para o segmento que detesta o sentido e a progressão do sentido.
Os acumuladores compulsivos de ódio são apenas o desdobramento natural dos acumuladores compulsivos de patrimônio: tudo é uma doença social degenerativa.
Diante do amor, diante da clareza, diante da verdade, esses nichos minoritários e barulhentos sucumbem às histerias mais grotescas. É o gatilho do nosso fascismo extemporâneo impregnado nas classes médias. O que eles não entendem, eles odeiam.
Por isso a conexão de Lula com o povo é tão forte. O vínculo é de sentido, não é ideológico. O vínculo de Lula com o povo extrapola as intepretações grosseiras da nossa cena do comentário sociológico que rotula qualquer coisa que não se pareça com o óbvio, com o já dito.
Este sujeito que tanto admiro – que o mundo admira – há tanto tempo não é apenas o maior líder político da história. Ele é um ser dotado da mais bonita humanidade de que se tem notícia. Por isso, o amor que ele vai deixando como rastro e como legado, toma dimensões cada vez mais épicas de perpetuação.
Vinícius de Moraes dizia que o amor deveria ser eterno enquanto durasse. O amor de Lula – o amor político, o amor social, o amor por Marisa, o amor pela família, o amor por seu povo, o amor pelos catadores de papel, o amor pelos portadores de hanseníase, o amor pela língua, o amor pelo sentido, o amor pela história – não tem essa cifra passional e romântica, embora ele as tenha também na grandeza do gesto.
O amor de Lula transcende, é eterno e infinito, é simbólico e solidário, é espiritual e político, doce e revolucionário, inovador e desinteressado, pleno e delicado, emocional e profundamente soberano.
Nós somos contemporâneos deste ser humano. Só isso já é a maior das honrarias que nos poderia ser concedida pela história.
Mais uma vez, é importante que se diga: testemunhar a garra deste ser humano do lado certo da história é a sensação máxima de liberdade".