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domingo, 24 de janeiro de 2010

Você conhece "Seu" LUNGA?

Quem é a figura : foi ourives em Juazeiro do Norte, Ceará, vendedor de sucatas, pai de 13 filhos, quase analfabeto. Candidatou-se uma vez a vereador e perdeu. Ganhou fama pela língua solta e afiada.




"Seu" Lunga descansava na rede. Manda o sobrinho trazer-lhe um pouco de leite. O garoto pergunta:
- No copo ? Ele responde:
- Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fío de rapariga!



O funcionário do banco veio avisar:

- Seu Lunga, a promissória venceu.

- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.



"Seu Lunga", no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta :

- Sobe ?

Ele :

- Não, esse elevador anda de lado.



"Seu" Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta :

- Tá doente ?

- Quer dizer que se eu fosse saindo do cemitério, eu tava morto ?



"Seu" Lunga dava uma tremenda surra no filho e o menino gritava :

- Tá bom, pai ! Tá bom, pai ! Tá bom, pai !

- Tá bom ? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.



O amigo de "seu" Lunga o cumprimenta :

- Olá, tá sumido ! Por onde tem andado ?

- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...



Na década de 70, "seu" Lunga chega num bar e fala pro atendente :

- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir !

- Desculpe, "seu" Lunga, não posso botar música hoje...

- Mas por que ?

- Meu avô morreu !

- E ele levou os discos, foi ?



Durante a madrugada, a mulher do "seu" Lunga passa mal :

- Lunga ! Ta me dando uma coisa...

- Receba !

- Mas é uma coisa ruim !

- Então devolva !



"Seu" Lunga entrando em uma agropecuária.

-Tem veneno pra rato ?

-Tem ! Vai levar ? - pergunta o balconista.

-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui ! - responde seu Lunga.



O telefone toca. "Seu" Lunga :

- Alô !

- Bom dia ! Mas quem está falando ?

- Você !

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Triste Arte de Enganar

A triste arte de enganar
Publicado em 30.12.2009
Fátima Quintas
fquintas84@terra.com.br

O champanhe explode, os cálices tilintam, as esperanças se renovam, a vida sugere recomeços. Os prelúdios do ano-novo se avizinham. Mudamos nós? Esta talvez seja a grande pergunta a ser feita no advento de 2010. O Brasil carece de alcançar uma consciência política capaz de reverter um quadro demasiadamente lúgubre. Não quero pensar que as luzes estejam apagadas e que já não floresça um ponto de claridade no fundo do túnel. É hora de mudar. E, para mudar, não basta que o calendário avance na inevitável cronologia do tempo. A passagem das horas acontecerá, alheia à nossa vontade. O que depende de nós é uma iminente atitude ética em face do descalabro que avistamos todos os dias. O caos se instala imbuído de desacertos e truculências políticas.
Fechar os olhos para a desonestidade reinante é ato de covardia. Acreditar que tudo é natural, ou seja, naturalizar a corrupção corresponde a uma vilania sem nome. E pior: admirar os espertos, aqueles que são astuciosos na prática do ilusionismo, enganando, mentindo, sofismando... equivale a subscrever o descalabro social. As pessoas íntegras são vistas como abobalhadas, sem inteligência suficiente para driblar o jogo rotineiro, chamadas pejorativamente de "boazinhas", o que vale a dizer: medíocres, monótonas, desprezíveis. Pesquisa divulgada pelo Ibope, relativa à receptividade de personagens de novelas, aquilata que os protagonistas dignos e prudentes são relegados a planos de somenos importância, considerados desatraentes, insossos, sem charme. A esperteza, essa, sim, tem o feitiço das ilícitas vitórias. E a vida só tem sabor quando dotada da sagacidade do sucesso. Vencer de qualquer forma, enriquecer à custa de trapaças, exercitar a arte de enganar dizem de atributos que vão ganhando espaço no cenário nacional. Afinal, esconder dólares nas cuecas, nas meias, ou em outros íntimos refúgios não surpreende ninguém. Falácias e manobras se propagam, aceitam-se deploráveis justificativas, elitizam-se impunidades, o poder adquire inaceitáveis imunidades - o crime do colarinho branco inexiste. E os destemperos políticos transformam-se em meras anedotas que servem de distração à miséria humana.
O leitor naturalmente se perguntará por que falar disto em época festiva, antes mesmo do ano iniciar, na calada dos últimos dias de 2009? Pode parecer estranho. Não o é. Simplesmente porque é chegada a hora de contabilizar o ano velho e de planejar um novo cronograma. O conceito de mudança não pode ser apenas uma figura de retórica ou transitório movimento de euforia e de atordoamento em período ungido de falsas solidariedades. Ser solidário é comungar de ideais comuns, é abraçar o outro com mãos disponíveis, é compreender a rede social na sua mais profunda estrutura. O cristianismo prega a igualdade e a justiça social, longe de perversas distorções que só favorecem o descrédito do homem diante da própria humanidade.
A honestidade não pode ser uma virtude eletiva - Ruy Barbosa já anunciava tal inversão. Faz parte intrínseca do quadro ético que sedimenta a personalidade de cada um. "Gentificar-se" é o único caminho da humanização, da visão cristã do amor, da comunhão de uma perfeita alteridade em que os valores condignos às relações afetivas prevaleçam e se consolidem. O mundo depende do homem, nada mais. E dele se aguardam sentimentos mais puros que venham a justificar a história da sua existência.
Que os cálices brindem à mudança verdadeira e não ao malabarismo de condutas absolutamente repulsivas. Que a paisagem política se assente em dimensões mais saudáveis e menos egocêntricas. Que a vida pública não seja sinônimo de ultraje social, tampouco de culto aos desvarios e insanidades pessoais. Só assim o Brasil e os brasileiros poderão orgulhar-se da sua nação. Utopia? Talvez 2010 opere o milagre. Vale a pena repudiar o espetáculo tragicômico da arte de enganar.
» Fátima Quintas é da Academia Pernambucana de Letras

Política

Fechar os olhos para a desonestidade reinante é covardia.